Visita ao Espaço do Conhecimento UFMG

Fachada do Espaço


No dia 23 de março, quinta-feira, tive a oportunidade de conhecer o Espaço do Conhecimento UFMG, localizado na Praça da Liberdade no bairro Funcionários. O local integra o Circuito Liberdade, maior complexo cultural do país.

A própria fachada do prédio já possui interessantes aspectos no sentido arquitetônico. O estilo moderno chama a atenção, principalmente por contrastar com as duas edificações ao lado: o Museu das Minas e do Metal e o Memorial Minas Gerais.

O espaço é uma atração cultural peculiar, por conjugar conhecimento científico, artístico e cultural. Seu propósito não se limita à propagação de informações plenamente pré-formuladas, mas convida o visitante à experiência e à reflexão de temas plurais.

O Espaço do Conhecimento UFMG possui 5 andares, sendo que no último se encontra o planetário, e assim como os demais também apresenta exposições diversas conforme a data de visitação.


A entrada principal e a próxima à cafeteria


1º andar

É no primeiro andar que se encontra a recepção, ao lado do Espaço Café e da Livraria UFMG, onde é possível encontrar publicações da universidade a preços acessíveis.
Recepção

Livraria

Para acessar os demais andares, o visitante tem duas opções: utilizar o elevador ou a escada. Algo que me fascinou foi a presença de uma "pequena exposição" nos degraus e ambiente da escadaria. Ela se denomina "Na Escala" e revela as possibilidades do homem de ver e representar o mundo. Baseado no sistema métrico decimal, cada degrau avança em dimensões de medida, apresentando fotografias do micro ao macro, do microscópio ao telescópio. É um verdadeiro atrativo para usar as escadas e descobrir a multiplicidade de conhecimentos que nos é cônscio, porém pode distar das nossas limitadas percepções humanas naturais.


"Na Escala": um convite para subir e descer escadas.


No dia da visita o Espaço do Conhecimento estava apresentando a exposição de longa duração "Demasiado Humano", que preenchia do segundo ao quinto andar do prédio.


2º andar

No dia da visitação o segundo andar do espaço recebia algumas exposições temporárias. Uma delas se intitulava "À margem: Água, Cultura e Território".
A mostra trata da Bacia do Rio das Velhas, mostrando desde sua nascente até os diferentes locais por onde passa, destacando o quanto vem sofrendo com despejo de esgoto, resíduos industriais, agrotóxicos e assoreamento. É interessante como tal reflexão convida-nos a repensar como estamos a cuidar de um rio que foi fundamental para o surgimento de Belo Horizonte, e como a urbanização acaba por canalizar rios e dessa forma, minguar gradativamente a relação do homem com as experimentações naturais.


À Margem: Trajeto do Rio das Velhas
À Margem: Ações de controle do Rio das Velhas


3º andar - Vertentes

Este nível possui coleções variadas, todas também pertencentes à série de longa duração "Demasiado Humano". É aqui que se encontra a exposição "Cosmogonias e Cosmologias que mostra o mito fundador sobre a origem do mundo segundo diferentes culturas. É primoroso o modo como o é contado o introito dos tempos conforme as diferentes tradições. As esculturas de papel de Marcelo Bicalho cumprem a função buscando mostrar as diferentes histórias de modo representativamente amplo. Vale ressaltar que na frente de cada trabalho há uma espécie de alto-falante em que o visitante pode ouvir a narração do mito na língua nativa daquela cultura.

Cosmogonias e Cosmologias



4º andar - Origens

Neste piso há numerosos trabalhos acerca da origem da vida, do homem e da evolução deste. É de se notar que este módulo contrasta com o anterior por apresentar temas semelhantes mas com uma perspectiva científica. Repartições como "Extratos do tempo", "Origem da Vida" e "Paisagens Geológicas/Pangeia" contam sobre eventos cruciais como o Big-Bang, o surgimento das galáxias, e a aparição dos primeiros organismos. Já "O homem de Lagoa Santa" e "Objetos Arqueológicos" tratam sobre a grande evolução não só da espécie humana no sentido físico, mas principalmente dos instrumentos e nos costumes.

Extratos do tempo


5º andar - Aleph

No último módulo do prédio, encontra-se o planetário (fechado no momento da visita) e uma série de fotografias de diferentes pontos de Minas Gerais acompanhadas de um moderno telescópio.
E também é neste piso que fica localizado o último trabalho da exposição de longa duração "Demasiado Humano". A instalação é denominada "O Aleph" e foi inspirada no conto homônimo de Jorge Luis Borges. Neste conto o personagem encontra um lugar em que se pode ver simultaneamente todos os acontecimentos do mundo. Possui uma escada que se dirige metaforicamente ao infinito e um caleidoscópio de espelhos que possibilita ao participante se ver em imagens que parecem não findar jamais. Tudo isso proporciona um questionamento acerca da ilusória procura pela totalidade do conhecimento e das formas de percepção humana.

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